Infraestrutura Digital e de Identidade como Pilares da Soberania Nacional

A tecnologia deixou de ser uma mera ferramenta de suporte administrativo para se tornar o próprio alicerce da cidadania e da autonomia econômica. Esta foi a tônica da palestra de abertura do segundo dia do FEBRABAN TECH 2026, em São Paulo, conduzida por Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Sob o tema “Infraestruturas digitais e de identidade como impulsionadoras da soberania e do crescimento”, a ministra conectou a eficiência do Estado à urgência da soberania digital em uma era dominada pela Inteligência Artificial.
Para um público composto pelas principais lideranças do setor financeiro brasileiro, amensagem foi clara: um país que não controla seus dados e sua infraestrutura computacional está fadado à dependência geopolítica.
A Tecnologia como Infraestrutura da Cidadania
Em sua fala, Dweck desmistificou o conceito de transformação digital, frequentemente associado apenas à desmaterialização de processos. Segundo a ministra, o digital passou a estruturar a sociedade contemporânea. O sucesso de plataformas massivas como o GOV.BR demonstra que o Estado precisa ser um catalisador tecnológico capaz de conhecer sua população para oferecer serviços precisos, éticos e, acima de tudo, seguros.
Essa segurança jurídica e operacional ganha contornos práticos com a expansão da Carteira de Identidade Nacional (CIN) e o avanço da identificação via biometria. No ecossistema financeiro, onde a sofisticação das fraudes desafia bancos diariamente, a consolidação de uma identidade digital única gerida pelo Estado funciona como uma infraestrutura pública compartilhada que mitiga riscos sistêmicos e impulsiona a inovação privada, como o Open Finance.
Os Pilares da Soberania: Nuvem Brasileira e Supercomputação
O ponto alto da articulação política e econômica da ministra residiu nas iniciativas recentes do MGI para reduzir a vulnerabilidade externa do Brasil. Dweck destacou duas frentes estratégicas:
    1. A Estruturação da Nuvem Brasileira: A abertura de escuta de mercado para desenhar uma infraestrutura de nuvem governamental sinaliza o desejo de manter dados críticos protegidos sob a jurisdição nacional, reduzindo o monopólio das big techs estrangeiras.
    2. Supercomputadores e Inteligência Artificial: O lançamento recente de editais para a aquisição de supercomputadores visa dar ao Brasil a musculatura de processamento necessária para que o desenvolvimento de modelos de IA nacionais ocorra em solo pátrio.

O Futuro é Multicloud e Colaborativo
A fala da ministra ecoa as principais dores discutidas nas trilhas do FEBRABAN TECH 2026, que debatem intensamente a geopolítica da nuvem e o risco sistêmico da concentração de dados.
Ao propor uma convergência entre investimentos públicos e a robustez do setor bancário privado, Esther Dweck sinalizou que a verdadeira soberania digital não se faz com isolamento, mas com o fortalecimento da capacidade estatal, proteção rigorosa à privacidade e autonomia tecnológica. O Brasil de 2026 começa a entender que governar, hoje, também significa processar e proteger.

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