SOBERANIA BRASILEIRA: UM PROJETO DE PAÍS

As recentes falas do Prof. Marcio Pochmann ; “Nós estamos diante de um desafio maior, que é a soberania de dados, a soberania das informações. Infelizmente, o Brasil não tem a soberania plena de dados. Grande parte da nossa produção está sendo processada fora do país.”

O Brasil vive hoje o que podemos chamar de terceira dimensão da soberania. Há 200 anos, conquistamos a soberania política com a Independência. Há cerca de 100 anos, começamos a construir nossa soberania econômica. Agora, no século XXI, emerge a soberania digital – e é nessa fronteira que o país está sendo desafiado

O NOVO PETRÓLEO
A transformação digital reconfigurou as relações de poder. Hoje, as big techs – sete das dez maiores empresas do mundo – detêm um poder sem precedentes sobre informações que são, em essência, nossas.

A cada dia que usamos a internet, aceitamos políticas de privacidade que transferem nossos dados para um modelo de negócio extremamente lucrativo para empresas estrangeiras. Nossas informações pessoais – mensagens, decisões de compra, deslocamentos, preferências – são extraídas e processadas fora do Brasil.

“Todos nós que de certa maneira possuímos acesso às redes, para que a gente possa utilizá-las, precisamos aceitar a política de privacidade que é imposta por essas empresas. Se a gente não aceita, a gente não tem acesso. Mas essa aceitação indica que todas as nossas informações pertencem ao software proprietário dessas redes sociais.”

O que propomos é que o Estado retome seu papel central no desenvolvimento tecnológico. Caso contrário, ficamos reféns de interesses estrangeiros, como ficou evidente nas ameaças recentes que perpassam os interesses das big techs.

A soberania digital não é um tema técnico ou restrito a especialistas. É uma questão de autonomia nacional. Quem não domina as informações do seu próprio país pouco tem como decidir de forma soberana.

Na prática, isso significa:

Integrar e coordenar os dados oficiais brasileiros (hoje fragmentados em ministérios e órgãos como Serpro, Datasus e Inep)

Criar o Sistema Nacional de Geociência, Estatísticas e Dados (Singed) , que permita acesso desnomeado a informações hoje controladas por grandes empresas

Fortalecer o IBGE como coordenador-geral das estatísticas e dados oficiais do país   – O FUTURO COMO HORIZONTE COLETIVO –

Sem soberania digital, o futuro deixa de ser promessa e vira cobrança. A lógica do endividamento transforma o amanhã em obrigação. A crise deixa de ser evento extraordinário para se tornar desgaste contínuo.

Transformar para redistribuir não é escolha retórica. É uma exigência histórica. O Brasil precisa recuperar sua capacidade pública de decisão, reconstruir instrumentos de regulação à altura das cadeias globais e das plataformas digitais, e reabrir o futuro como horizonte compartilhado.

InvestVida – Acompanhe o debate sobre soberania digital e desenvolvimento nacional.

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