“Investimentos sim, e não como caridade.”

“África exige financiamento climático como investimento, não caridade, em evento na Etiópia. Cobra-se ação prática, não apenas acordos.”

Na Cúpula do Clima da África, em Adis Abeba, líderes africanos e especialistas alertaram para a falta de recursos concretos destinados à adaptação climática, apontando a contradição entre os discursos globais e a efetiva aplicação de financiamentos. Alice Amorim, diretora de Programa da COP30, defendeu que a conferência de Belém seja um marco de implementação prática, com base nas decisões já tomadas – como as do balanço global de COP28.

Amorim enfatizou a urgência de tratar a adaptação como investimento central – e não como apêndice da mitigação – e integrada à transição energética e ao desenvolvimento. “Não podemos esperar mais para investir em adaptação e resiliência”, afirmou, ressaltando a necessidade de levar acordos às realidades locais.

O evento reforçou a demanda por um novo paradigma que substitua debates por ações, pressionando por mecanismos financeiros ágeis e justos que garantam soberania e capacidade de resposta diante da crise climática.

Executivo propõe 4 estratégias para destravar US$ 300 tri do setor privado para o clima

Em resposta aos impasses de financiamento climático discutidos na Cúpula da África, Hubert Danso, CEO do Africa Investor Group, apresentou uma abordagem prática para mobilizar o capital institucional global – que soma US$ 300 trilhões – em projetos de adaptação e resiliência.

Danso criticou a lógica atual do financiamento climático: “Precisamos parar de tentar tornar o desenvolvimento ‘investível’ e começar a fazer investimento desenvolvimentista”. Ele alertou que 90% do esforço atual concentra-se em captar apenas 10% do capital disponível, negligenciando os grandes investidores institucionais.

Suas propostas estratégicas são:

Tratar a resiliência como infraestrutura regulada, com proteções equivalentes a setores como energia e transportes;

Criar veículos de investimento com múltiplas atribuições para agregar projetos e diversificar riscos;

Desenvolver produtos financeiros padronizados, como títulos verdes e instrumentos de adaptação negociáveis em escala global;

Conectar chefes de Estado e bancos centrais diretamente com gestores de grandes fundos de investimento.

Danso finalizou com um apelo à presidência da COP30: levar líderes políticos e financeiros à mesma mesa para viabilizar a transição de debates para ações efetivas na conferência de Belém.

Com informações da COP30

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